conto.
11 de novembro de 2009
Ela morava em um edifício amarelo, decadente. Estava descalça, usava só uma saída de banho azul marinho e disse que se chamava Alice.
Não sobrou dinheiro para o presente do Augusto, meu amigo secreto daquele ano. Dei só uma desculpa, pois Alice ficou com tudo. Deixei, como ela pediu e segundo a tradição, em cima da mesinha de cabeceira. Alta, comparada ao colchão que ficava no chão.
Felipe e eu fomos levados lá pelo Olavo, descobridor e primeiro desbravador da Alice. Nosso guia naquela aventura ficou esperando lá em baixo. Ele já era um homem. Alice era a responsável.
Naquele instante ela cuidava do Felipe. Culpa do par ou ímpar. Ele ganhou. Foi antes. Subiu a estreita escadinha um menino. Entrou no apartamento um adolescente, deitou no colchão um rapaz e desceu as escadas um homem.
Felipe foi transformado em homem 20 minutos antes do que eu. Ele sorria, depois, atravessando a rua em direção à marquise do boteco onde Olavo e eu nos refugiáramos da garoa que caía. Felipe, seus pés mal tocando o chão, se bem me recordo, planou sobre o asfalto e a calçada em nossa direção.
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conto.
15 de outubro de 2009
Foi a seqüência de números que coloquei no cadeado: 30, uma volta completa para a esquerda continuando até o 25 e avançando devagarzinho que o 3 tá perto. Clanc. Não abriu. Repeti: 30, volta completa, pára no 25 e volta para o 3. Clanc.
Merda.
Tomei um gole de água. Fingi que não era comigo. Os caras no vestiário fazendo de conta que não sacaram que o besta aqui esqueceu o segredo do cadeado. Mais um gole. Primeira vez que, com água, engoli em seco.
30, 25, 3. Não.
Será que era 25, volta completa, pára no 30 e vai para o 3? Tentei. Clanc.
Tenho certeza que 3 é o último. E que começa com um dos dois outros.
30, 25, 3. Clanc.
25, 30, 3. Não.
Estou tão cansado que embaralhei os números? Tá certo que dei uma forçada no exercício e fiquei meio tonto. Mas passou. Faz tempo.
Será que peguei o cadeado da Esposa? Foi isto. Claro, não sei o segredo. Mas peraí: usei a combinação certa quando tranquei a porcaria do cadeado. Como não sei o segredo do cadeado da Esposa, quando cheguei na academia tudo funcionou bem. Vai ver tive um treco quando fiquei tonto. Esqueci todos os meus números. Já pensou que merda? Número do prédio, do andar, do apartamento, telefone, celular, CPF, RG. Quanto calço, minha idade, conta e senha do banco, quantas calorias tem em um pote de sorvete de doce de leite com pedações de chocolate... se bem que a última é bom esquecer mesmo. Mas não. Tá tudo lá. Lembro de tudo. Inclusive das calorias.
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atualidades.
16 de junho de 2009
Adoro, sempre que possível, dividir experiências. Acho que foi por isto que me tornei jornalista. A Gazeta do Povo, de Curitiba, publicou uma crônica minha sobre meu flerte com a Gripe Suína.
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pessoal.
18 de maio de 2009
Na hora de procurar emprego e antes de aceitar uma proposta de trabalho devemos levar em consideração o que achamos que valemos, o que o mercado acha que valemos, o que o empregador acha que valemos, o que o empregador acha que vamos aceitar apesar do que o mercado e nós mesmos julgamos que valemos e o total das contas que temos que pagar no fim do mês.
No topo da pirâmide as contas atingem seu poder máximo e nossa auto-estima o valor mínimo.
Sendo que a única certeza da vida é a impermanência, jamais possuiremos as “coisas” que a gente compra, mas elas, pelas contas, nos possuem.
Droga. Nunca mais vou olhar para o meu Xbox da mesma forma.
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curiosidade.
07 de maio de 2009
A revista Wired publicou um artigo sobre a neurociência da ilusão usando como exemplos certos truques da dupla Penn & Teller.
Você tem que ver isto:
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fotografia.
23 de abril de 2009
Vista do meu escritório em 23 de abril. Primavera. Temperatura variando de 3º a 9º. Vento delicioso. Vista melhor ainda.arquivo | comentários[ 3 ] | divulgue
fotografia.
23 de abril de 2009
Vista do meu escritório durante inverno.arquivo | comentários[ 1 ] | divulgue
quadrinhos.
23 de abril de 2009
Se você gosta de quadrinhos vai se deleitar com isto:
Nine Panel Grid
Os prazeres da Nona Arte.
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gatos.
26 de fevereiro de 2009
No final das contas a gente sabe que gatos não são pessoas. E não consideramos as nossas, Miadóra e Shy, como nossas filhas. A propósito, nossas três sobrinhas vão respirar aliviadas quando souberem que não vamos deixar em testamento para as felinas todos os nossos (poucos) bens. Mas, verdade seja dita, gastamos uma pequena fortuna para trazer as duas gatinhas do Brasil para o Canadá.
Apesar do fato de que poderíamos ter pago nosso aluguel em High Park Avenue por alguns meses ou quitar todas as nossas dívidas por um (longo) tempo, se necessário, faríamos tudo de novo. Sem perguntar nada. Bem, talvez, só uma pergunta: quanto vai custar?
As duas vivem conosco desde dezembro de 2000 e, óbvio, nos sentimos responsáveis por elas. Além de ração, areia sanitária e água, elas só pedem uma vigorosa coçada atrás das orelhas, um pouco de atenção, e um espacinho perto de um aquecedor do lado de uma janela para ficar assistindo os flocos de neve caindo.
Elas chegaram em Toronto três dias depois da gente e assim que resgatamos as duas do edifício da Air Canada Cargo, fomos direto para um gatil em Oakville onde elas ficaram por duas semanas.
O staff chama o lugar de “Spa Felino“. Eu não iria tão longe, se bem que as instalações são limpas e o preço (sempre o $, o maldito $) foi razoável. Todo mundo lá era muito carinhoso com todos os gatos, até aqueles mais exaltados que poderiam fazer parceria com o filho do demo.
Assim que conseguimos um apartamento fomos buscá-las. Alugamos um carro (dinheiro, dinheiro, dinheiro) e quando chegamos no apartamento soltamos as duas de suas gaiolas individuais (não diga nada!). Depois da exploração da área com aquele andar arrastado de quem comeu demais, acompanhado dos longos miados indignados, foram para o sofá e se acomodaram.
Agora só falta registrar as duas na prefeitura, comprar e implantar um micro-chip para cada uma, bem como adquirir coleiras, plano de saúde, levá-las para a primeira visita ao veterinário...
Cara! Tudo bem. Tudo bem. Calma... inspire... expire... inspire... expire... elas são nossas amiguinhas. Queremos só o melhor para elas. Vamos lá, cara. Lembre do seu mantra: feline, furry fuzzy friends... feline, furry fuzzy friends... OM OM OM.
Mas se a coisa continuar neste ritmo vai ficar mais barato ter uma filha e pagar universidade particular para ela. E dar um carro zero. E pagar pelo casamento. Pelo menos Ela vai cuidar da gente quando formos à falência por causa das gatas.
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pessoal.
25 de fevereiro de 2009
AVISO AOS NAVEGANTES – primeiro post feito daqui do Canada com o que ficou convencionado pelo Comitê de Textos Alternativos que será chamado de Teclado Gringo, o que poderá resultar na falta de algumas cedilhas e circunflexos. Aguente firme que eu arrumo tudo.
Pois é. Nos mudamos para Toronto. Agora que tudo que dizia respeito ao apartamento aqui está resolvido e as coisas de banco encaminhadas, a documentação para poder trabalhar regularizada (os equivalentes a CPF, PIS e RG), telefone instalado, celular funcionando, internet pronta para usar, cabo... e tudo o mais que a gente “take for granted” no dia a dia e que aqui foi preciso fazer de novo, estamos preparados para começar a vida de novo.
Estou batalhando agora para tirar a carteira de motorista. E envolve uma tradução feita pelo consulado brasileiro, fazer exames, aquela coisa toda. Por outro lado são tarefas que, depois de realizadas, nunca mais incomodam. Você provavelmente nem se lembra quando foi pegar seu RG na Secretaria de Seguranca.
O choque cultural é quase inevitável. Mas não pelas grandes diferenças – para estas a gente estava preparado. As pequenas coisas do dia a dia são as que mais desgastam. Exemplo: que amaciante a gente usa quando lava a roupa? Resposta correta - nenhum. O amaciante a gente usa na secadora. Coisas do hemisfério norte.
(para continuar lendo sobre o tema, clique no "mais" abaixo)
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opinião.
06 de outubro de 2006
Temos pelo menos uma coisa em comum: vivemos correndo. E a maior parte do tempo corremos atrás de duas coisinhas bem pequenas: os ponteiros do relógio. E correr atrás deles significa correr atrás do tempo.
Sabe por quê? Porque a gente não pode perder tempo. O tempo não para. O tempo voa. O tempo passa. O tempo é curto.
Por outro lado, uma das coisas que permite que a gente viva em sociedade é a coordenação em função do tempo. É o fato de todos nós vivermos no mesmo tempo.
06:30 no Prado Velho, é 06:30 no Capão da Imbuia. Meia-noite no Mossunguê é meia-noite no Bacacheri.
E isto faz com que a vida da gente tenha, pelo menos, uma aparência de ordem. Não é fácil viver assim, mas pelo bem comum todo mundo cede um pouquinho. Cada um de nós faz um esforço e procura estar nos compromissos, seja trabalho ou lazer, no horário combinado. Todos nós tentamos, a maior parte do tempo, ser pontuais.
E isto é, no mínimo, uma questão de respeito. Se marcam um almoço de domingo com a família para 12:30 e um dos parentes chega no horário, outro chegou 08:00 da manhã e já foi embora e um terceiro só chega 12:30 de segunda, a coisa não vai dar certo.
E o mesmo acontece em sala de aula. Mas parece que cerca de 30 pais de alunos da Escola Estadual Moysés Lupion, em Antonina, no litoral do PR, não concordam. Estão revoltados com a direção do colégio pois agora está sendo cobrado que seus filhos cheguem no horário. Não estão pedindo nada absurdo, só que cumpram sua parte neste acordo com a sociedade: que sejam pontuais.
Li em um jornal da capital nesta semana em que a diretora desta escola, Marigel Machado, afirma que vinha advertindo certa de 100 alunos de diversas turmas, que atrasam até 40 minutos. Os atrasados, claro, perturbam a turma inteira. Certos professores são obrigados a atrasar até a aplicação de provas por causa dos retardatários.
E a mãe de um aluno que afirmou: Não acho certo que meu filho tenha que sempre chegar no horário, ele pode atrasar-se por vários motivos. Sou contra isto.
Legal. Belo exemplo que esta senhora está dando. Minha senhora, lembre-se disso quando ele chegar atrasado no vestibular e for reprovado. Lembre-se disso quando ele chegar atrasado no emprego e for demitido.
Quando a senhora ficar velha e doente vamos torcer para que o médico que vai atender a senhora tenha tido uma educação um pouquinho diferente.
Ou ele vai chegar atrasado nas suas consultas, vai chegar atrasado na sua cirurgia e provavelmente vai chegar atrasado quando a senhora tiver aquela parada cardíaca e precisar de atendimento de emergência.
E vamos esperar que o seu enterro saia no horário.
Se bem que para o seu filho isto não vai fazer muita diferença, não é?
Ele vai chegar atrasado mesmo.
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atualidades.
06 de outubro de 2006
REGOZIJEN-SE, CATÓLICOS... o limbo vai deixar de existir. Se seus filhos morrerem no holocausto nuclear provocado pela Coréia do Norte, pelo Iran ou pelos Estados Unidos, ou em um atentado terrorista, ou um acidente de carro, e eles ainda não tiverem sido batizados, não vão mais parar no limbo.
Como se o mundo não tivesse problemas mais graves, alguns criados pelo próprio Bento 16.
Fonte: BBC
Uma comissão de teólogos católicos deverá recomendar ao papa Bento 16 nesta sexta-feira que o conceito de limbo seja abandonado.
Os teólogos estão reunidos no Vaticano nos últimos dias para discutir o limbo que, de acordo com a tradição, é algum lugar entre o paraíso e o inferno e é ocupado por almas de crianças que morreram sem batismo e pessoas boas que viveram antes de Cristo.
O próprio papa Bento 16 rejeitou a noção de limbo, dizendo se tratar de uma mera "hipótese".
Há sugestões de que a possível mudança seja uma tentativa de impedir que fiéis de países com alto índice de mortalidade infantil optem pelo islamismo, que afirma que os bebês natimortos vão direto para o paraíso, disse o repórter da BBC, Rahul Tandon.
Mas o teólogo católico John MacDaid rejeitou essa possibilidade. "Eu acho que não há nenhuma rivalidade aqui", afirmou o padre.
"O que eu diria a qualquer pai ou mãe que perde uma criança e que está preocupado com o destino daquela criança é que nós precisamos ter confiança absoluta de que aquela criança agora foi acolhida por Deus no paraíso."
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atualidades.
06 de outubro de 2006
Lembra da música "A Rosa de Hiroshima"? Torça para que não seja necessário compor uma música "A Rosa da Coréia". Ao que tudo indica aquele tampinha alucinado vai testar sua bombinha nuclear neste final de semana. O mundo civilizado espera que ele esteja blefando. O que não seria de surpreender. Coisas de sua personalidade perturbada. Veja as reações aqui na CNN
TOKYO, Japan - Japan's top government spokesman says Tokyo is stepping up monitoring of North Korea amid speculation that the communist nation could carry out a nuclear test as early as this weekend.
"In consideration of various possibilities, we are preparing for whatever may happen," Chief Cabinet Secretary Yasuhisa Shiozaki said Friday, according to The Associated Press.
The speculation comes amid reports the United Nations Security Council members have reached a tentative agreement on a Japanese-drafted statement that warns North Korea of unspecified consequences if it conducts a nuclear test.
The text, obtained by the Reuters news service, is similar to the original, and was negotiated by junior diplomats of the 15 council members. It is being sent to governments for possible changes before further discussions on Friday.
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